quinta-feira, 14 de abril de 2011
Páscoa sem Jesus
quinta-feira, 10 de março de 2011
Paz para todo o mundo
Paz do Senhor, como os evangélicos pentecostais?
Graça e Paz, como geralmente os evangélicos não-pentecostais?
ou Paz e Bem, como os católicos?
É interessante observar como até mesmo a saudação cristã mais simples se submete às divisões existentes no cristianismo de nosso meio. Certamente, se eu fizesse uma comparação mais ampla, surgiriam ainda outras variações.
No entanto, essas variações correspondem ao contexto da cultura, e não necessariamente da fé. Procurei fazer uma pesquisa etimológica sobre a diferença entre "orar" e "rezar" e, pelo que consegui apurar, elas não existem quanto ao significado original dos termos. Nem existe essa diferença em outras línguas.
Contudo, não se pode simplesmente deixar de lado o contexto cultural, que nos remete a um significado de rezar ligado às “rezas” como recitações mecânicas, visando a um fim mágico, ou, pela sua quantidade e/ou intensidade, convencer Deus a mudar o destino pela insistência.
Sim, é bem isso que Cristo responde sobre não orar usando de vãs repetições (Mat 6.7).
Porém, no rigor que a abordagem da Escritura exige, essas vãs repetições (que constam no texto das versões protestantes - as católicas, cuidadosamente, apenas alertam para que "não multipliqueis as palavras") podem ocorrer tanto no rezar padronizado e contabilizado pelas contas do rosário, quanto na oração "forte" dos profetas ocasionais, cheia de cacoetes automáticos e imitativos em que parece que a língua, sozinha e descontrolada, assume o lugar da consciência no ser.
Querido, o Espírito Santo não é um bicho irracional que, incitado e acuado por uma sequência de glórias e aleluias, se esvai em vocábulos incompreensíveis para manifestação da glória de Deus. Na hora que for necessário interceder em oração, Deus quer a tua palavra sincera e o teu coração quebrantado, e tem toda a paciência do mundo para esperar até que venha a tua voz. O Espírito não falará por ti.
Se você aprendeu ou descobriu uma técnica pessoal para se fazer falar em "língua estranha", parabéns, bem-vindo ao mundo dos gentios, do paganismo e da feitiçaria.
Então, passar das crendices incubadas no catolicismo para uma ladainha evangélica repleta de palavras de guerra é um retrocesso?
De modo algum.
Não creio que o modo de passagem do catolicismo para a fé evangélica esteja nas minúcias doutrinárias que desenvolveram a Reforma protestante do século XVI (e que não fazem nenhum sentido hoje). É ridículo achar que católicos se preocupam com "fé e obras", enquanto que os evangélicos apenas com "fé", e mais ridículo ainda é que se dá ao trabalho de achar comprovações ocasionais da diferença de comportamente baseada nesse critério.
Não se deve desprezar a busca pela interação com a divindade que antes era inexistente, e é inevitável que boa parte da descatolicização tenha surgido da revolta genuína contra o obsoleto sistema de ritos encarnado no catolicismo tradicional - embora sempre existirá quem aprecie eles, na falta de coisa melhor. Claro que isso desemboca em uma onda de "conversões", mas esse não é o único caminho.
O perigo está em que, ao fazer tábula rasa de dois mil anos de cristianismo litúrgico e tentar construir uma fé exaustivamente alicerçada na Bíblia (como se fosse original), o evangelismo trilha as mesmas dúvidas de toda a longa trajetória da Igreja cristã - e, inevitavelmente, os mesmos erros. Por isso não é tão descabida assim a ideia de uma "reforma da Reforma" (embora seja inteiramente errada do ponto de vista histórico, pois não está se reformando a Reforma mas um reflexo distante desta para ser mais igual à própria Reforma).
Então vou terminar essa mensagem sem saudação alguma.
A todos somente a Paz, que é suficiente para expressar algo que está acima das diferenças culturais dentro da sociedade e que pensamos serem de fé.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Eu penso que posso
“Não pense tal homem que receberá do Senhor coisa alguma; homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos”
Tiago 1.6-8
A frase constante de “The Little Engine That Could” (clássico infantil que valoriza o otimismo e a determinação) pode ser bem o lema de Hermas de Roma, um autor do século II, cujo texto, O Pastor, foi escrito durante o período formativo da história cristã, logo após a morte dos Apóstolos.
Na ausência de uma autoridade apostólica, Hermas e seus contemporâneos buscaram o melhor jeito de conciliar o ensino que tinham aprendido dos apóstolos com a sua própria realidade, obtendo maior ou menor sucesso. O Pastor de Hermas é uma narrativa intrigante que força o leitor a revisitar ideias que são geralmente vistas como surgidas apenas na atualidade. Em seu livro, Hermas relata a visão de um anjo que lhe entregou lhe ensinou parábolas vestido como pastor de ovelhas.
Cerca de ¼ do texto é composto dedicado a mandamentos para uma vida santa para que Hermas recuperasse o favor de Deus, perdido após uma vida de pecado. Um desses mandamentos é o que o Pastor dirige aqueles que têm “fraqueza de fé”:
Não esteja tíbio sobre pedir a Deus sobre algo, dizendo a si mesmo, por exemplo: ‘Como eu posso pedir algo de Deus e receber o que peço, se pequei tantas vezes contra Ele?’ Não argumente dessa forma para si mesmo, mas volte-se para Deus com todo o seu coração e pergunte a ele sem hesitação, e você saberá a compaixão extraordinária dEle, porque Ele nunca o abandonará, mas cumprirá seu pedido de coração.... Assim, limpe seu coração de todo duplo ânimo e vista-se de fé, porque Deus é forte, e confie que você receberá todos os pedidos que fizer.
A fraqueza de fé de Hermas se manifestara em uma falta de confiança em sua relação e postura com Deus. Em sua forma mais avançada, ele começara a duvidar do que Deus havia prometido que faria com ele. Essa tibieza atrofiara a sua relação com Deus porque destruíra a confiança, e nenhuma relação pode funcionar sem confiança.
Como remédio contra a fraqueza de fé, o Pastor prescreve a própria fé. Assim como a dúvida destrói uma relação, a fé a reconstrói. O Pastor vê a fé como uma ação que tem um objeto: um homem fiel à sua esposa, um homem de negócios fiel aos seus contratos. Para Hermas, ser fiel significa ser fiel para Deus, confiando no que Deus tinha revelado para ele ser, e agindo apropriadamente na luz dessa revelação. Isto tinha aplicações imediatas e práticas na vida de Hermas, porque ele já estava em dúvida se poderia cumprir os mandamentos que o Pastor estava lhe dando. Hermas soube então que Deus tinha prometido prover força para a sua vida santificada, porém, em sua tibieza, ele agia como se não soubesse nada sobre a ação de Deus.
A reprimenda do Pastor a Hermas é instrutiva ainda hoje. A fraqueza de fé é uma doença insidiosa que frequentemente passa despercebida, mas tem um potencial destrutivo. A ignorância de Hermas sobre sua condição deveria sinalizar aos cristãos modernos que desejam vencer o obstáculo da falta de fé. Um bom começo para isso está em nossas orações. Quando fazemos nossos pedidos a Deus, nós o fazemos com fé, com uma expectativa condizente com o poder e generosidade que Deus demonstra ter nas relações conosco, ou nós fazemos de forma tíbia, colocando em dúvida se Deus concederá? Se nos acharmos na situação de Hermas, então precisamos vitaminar nossa fé. Um bom começo seria refletindo em quem Deus mostrou-se a si mesmo, o que pode ser encontrado tanto na Bíblia como em nossas vidas. Deus demorou milhares de anos para formar o Seu povo. Nossa responsabilidade é lembrar quem Ele é, como se revelou a nós, e como age conforme aquelas promessas. Felizmente, muitos trilharam por esse caminho antes de nós, e Deus esteve com eles. Depois de 4 mil anos de interação, podemos estar seguros de que Deus “é o mesmo ontem, hoje e eternamente”.
Por Jonathan Nichols, em http://evangelicaloutpost.com/archives/2010/11/i-think-i-can.html
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Maioria dos cristãos britânicos percebe marginalização
Pesquisa conduzida pela ComRes (para a Premier Christian Media) avalia que 81% dos que frequentam a igreja na Grã-Bretanha percebem que a marginalização dos cristãos é cada vez maior na mídia e na imprensa. A pesquisa também indicou que 77% percebem que essa marginalização ocorre na esfera pública, e 2/3 acham que existe também no mercado de trabalho. Essa percepção é maior em mulheres do que em homens.
A avaliação desse sentimento ocorre após incidentes que mostraram o aumento de ações anticristãs na Grã-Bretanha, ao mesmo tempo em que se desenvolve uma cara e pesada campanha difamatória movida por entidades como a British Humanist Association[i] e a National Secular Society.
Em janeiro de 2009, um conselho local cortou a verba de um asilo mantido por cristãos evangélicos porque sua direção recusou-se a responder sobre suas opiniões a respeito da homossexualidade.
Em fevereiro de 2009, foi divulgado publicamente que uma enfermeira cristã foi suspensa do hospital onde trabalha por ter se oferecido para rezar pela recuperação de um paciente.
Também em fevereiro de 2009, uma recepcionista escolar foi punida pela escola por ter enviado um e-mail aos amigos de sua igreja, pedindo orações por sua filha.
Em maio de 2009, o ministério da Igualdade anunciou que determinaria que as igrejas cristãs vão ser obrigadas a contratar homossexuais como instrutores para a juventude.
Em junho de 2009, uma cristã de 67 anos que reclamou contra a realização do evento ‘Gay Pride Parade’ em sua cidade, foi acusada pelo conselho de de ‘crime de ódio’ e interrogada pela polícia.[ii]
Em julho de 2009, um pregador que recitava a Bíblia em público foi impedido pela polícia local sob a acusação de ‘comentários homofóbicos e racistas’.
Na British Airways, uma comissária teve que acionar a Justiça porque seus empregadores exigem que ela esconda uma cruz que usa no pescoço.
Em julho de 2010, uma tutora legal que cuidada de uma adolescente muçulmana ameaçada pela família foi afastada por ter permitido que a menina (de 16 anos) se convertesse ao cristianismo.[iii]
Em novembro de 2010, uma enfermeira foi suspensa de seu trabalho por ter presenteado um colega com um livreto contrário ao aborto.
Em janeiro de 2011, os donos de uma hospedagem em Cornwall foram multados em 3.600 euros por restringirem os quartos apenas a casais heterossexuais.
Esse dado revela um aumento dessa preocupação, em relação a uma pesquisa similar feita no ano anterior pela mesma ComRes, que indicou que 2/3 dos cristãos percebem uma discriminação negativa maior do que qualquer outro grupo religioso no país – na ocasião, 44% dos entrevistados afirmou já terem sido ridicularizados por vizinhos, amigos ou colegas pelo fato de serem cristãos.
[i] a BHA recebeu 35 mil euros do governo trabalhista para fornecer ‘orientações’ para o ministério da Igualdade.
[ii] a acusação, nesse caso, foi julgada ‘desproporcional’ até pelo mesmo pelo líder ativista homossexual Ben Summerskill, e condenada também por comentaristas da mídia e por políticos.
[iii] sistematicamente, os conselhos locais tem excluído casais cristãos da fila de possíveis pais adotivos por causa da oposição por motivo de crença a uma escolha homossexual das crianças adotadas.
Por quê?
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
De boatos e manifestos
A casa dos horrores do aborto
Kermit Gosnell, de 69 anos, é um médico de família (sem especialização em obstetrícia), foi preso sob a acusação de 7 homicídios de bebês vivos (que após serem retirados foram retalhados com uma tesoura) e também de uma mulher que sofreu uma overdose de analgésicos enquanto aguarda pelo aborto. Além das condições precárias, a clínica não dispunha de enfermeiros treinados para o trabalho, e por isso quatro funcionários e a esposa do médico também foram indiciados.Moça bem educada
Em seu blog, Teresa expressa a sua fé em Deus: “Eu sei que isso é exatamente o que Deus quer que eu seja, e Ele tem um plano para cada dia da minha vida, não apenas esse ano, mas a cada ano. Essa foi a minha oração, então, e tem sido a minha oração há seis meses e será sempre a minha oração. Nas próximas semanas no Miss America, e continuará sendo minha oração para o resto da minha vida. Se eu ganhar o título de Miss America, eu sei que é Sua vontade. Se eu não ganhar, e continuar nos próximos seis meses como Miss Nebraska, eu sei que é Sua vontade. Como é incrivelmente confortador saber que a minha vista está em Suas mãos!”A Bíblia em Naïf
As obras a seguir fazem parte de uma exposição do pintor Aloísio Dias da Silva, retratando passagens inspiradas na Bíblia.
Expulsão de Adão e Eva do Paraíso
Abel e Caim
Destruição de Sodoma e Gomorra
Abraão e Isaque
José é vendido por seus irmãos
Moisés
Balaque e Balaão
As muralhas de Jericó
Davi e Golias
Sabedoria de Salomão
A rainha de Sabá em visita ao rei Salomão
A fuga para o Egito
Jesus orando e os discípulos dormindo
Ressurreição de Lázaro
A ressurreição de Cristo
A urgência do "cercadinho"
“O projeto original dos imóveis teve que ser adaptado aos padrões brasileiros (...) Muitos já iniciaram seus puxadinhos no fundo de casa e ergueram muros para se sentirem mais seguros”
Ou seja, os moradores das casas recém-construídas, que tinham apenas o básico, priorizaram cercar a casa com muros baixos – imagino que não tenham tido tempo para erguer muros altos – sobre outras melhorias necessárias para suas residências, como um banheiro melhor ou telhados em vez da laje impermeabilizada.
A providência dos moradores de São José dos Campos – e imagino que em Campo Grande e Marília não será diferente - de erguerem pequenos “muros para se sentirem mais seguros” é puramente simbólica.
Nós sabemos que a garantia de segurança não é suficiente com muros pequenos, que mal protegem o terreno contra a entrada de cachorros. Hoje em dia apenas com verdadeiras muralhas, revestidas com cerca eletrônica e, se possível, com sistema de alarme e/ou câmeras, é que os moradores podem se sentir mais seguros. Contudo, se observamos em residências mais antigas (ou mesmo em cidades de menor porte, onde o problema de segurança é menor) a presença de pequenos muros em volta das casas é quase uma regra, apesar da efetiva pouca proteção que esses muros oferecem, em contraste com a residência típica dos Estados Unidos, que é aberta, com um gramado que vai até o limite da calçada.
Então, por que o brasileiro se apressa em levantar um muro para o seu terreno?
A resposta não pode ser encontrada na herança histórica das paliçadas dos colonizadores, nem no estilo de habitação das aldeias indígenas. O muro tem mais a ver com a concepção do sociólogo Roberto DaMatta sobre o limite entre “casa” e “rua”.
Ao contrário da moralidade explícita do norte-americano (sob a herança do puritanismo inglês), que não faz limite entre o acontece e deve acontecer dentro da família ou fora dela, a moralidade brasileira levanta uma distinção intransponível entre os dois âmbitos. Fora de casa, ou seja, na “rua”, o indivíduo está sujeito à moral pública, e deve se portar com a indumentária moral que a sociedade espera. Porém, em “casa”, ele é responsável pela sua própria moral. O muro representa simbolicamente a fronteira entre esses dois ambientes.
Vemos uma aplicação prática dessa distinção damattiana no julgamento popular – porque legalmente, nunca houve julgamento algum – do senador Renan Calheiros, bem distinto do que aconteceu, por exemplo, com Bill Clinton nas mãos do procurador Ken Starr.
O juízo popular contra o senador sempre foi contra a atuação do senador junto aos lobbys empresariais e, espetacularmente, à venda de suas vacas “superfaturadas”.
Mas nunca houve juízo moral sobre o fato de ter tido uma relação extraconjugal e uma filha com a jornalista Mônica Veloso. As vacas estão no ambiente pública, a “rua” – sujeitas a um julgamento público que acabou nunca acontecendo – Renan foi reeleito senador para mais um mandato de 8 anos na última eleição.
Já a relação com a jornalista – o que, ao que parece, sequer abalou o casamento do senador – pertence à “casa”, e sobre ele não cabe nenhum juízo fora de seu reinado familiar.


