Pois
na mesma data em que era publicado o artigo, conversei com um cidadão que não gostou
que se falasse em igreja, gritou dizendo que odiava Deus, e que Jesus era ainda
pior. Esse, porém, não quis mudar de assunto, começou a me ofender em via
pública, me chamando de 'fascista' e acabou por esmurrar a frente do meu carro.
A jornalista devia se sentir contente por apenas um sorriso nervoso.terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Tolerância, cinismo e a vida dura dos ateus (segundo Eliane Brum)
Pois
na mesma data em que era publicado o artigo, conversei com um cidadão que não gostou
que se falasse em igreja, gritou dizendo que odiava Deus, e que Jesus era ainda
pior. Esse, porém, não quis mudar de assunto, começou a me ofender em via
pública, me chamando de 'fascista' e acabou por esmurrar a frente do meu carro.
A jornalista devia se sentir contente por apenas um sorriso nervoso.quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Edir Macedo perde o juízo: será que bebeu?
No
último de seus ataques, Edir Macedo comparou
os cultos das igrejas pentecostais aos terreiros de candomblé
(como se a IURD não tivesse nenhuma semelhança) e chutou em 99% o percentual de
cantores
gospel endemoniados (seguramente,
nenhum da Line Records).quinta-feira, 10 de março de 2011
Paz para todo o mundo
Paz do Senhor, como os evangélicos pentecostais?
Graça e Paz, como geralmente os evangélicos não-pentecostais?
ou Paz e Bem, como os católicos?
É interessante observar como até mesmo a saudação cristã mais simples se submete às divisões existentes no cristianismo de nosso meio. Certamente, se eu fizesse uma comparação mais ampla, surgiriam ainda outras variações.
No entanto, essas variações correspondem ao contexto da cultura, e não necessariamente da fé. Procurei fazer uma pesquisa etimológica sobre a diferença entre "orar" e "rezar" e, pelo que consegui apurar, elas não existem quanto ao significado original dos termos. Nem existe essa diferença em outras línguas.
Contudo, não se pode simplesmente deixar de lado o contexto cultural, que nos remete a um significado de rezar ligado às “rezas” como recitações mecânicas, visando a um fim mágico, ou, pela sua quantidade e/ou intensidade, convencer Deus a mudar o destino pela insistência.
Sim, é bem isso que Cristo responde sobre não orar usando de vãs repetições (Mat 6.7).
Porém, no rigor que a abordagem da Escritura exige, essas vãs repetições (que constam no texto das versões protestantes - as católicas, cuidadosamente, apenas alertam para que "não multipliqueis as palavras") podem ocorrer tanto no rezar padronizado e contabilizado pelas contas do rosário, quanto na oração "forte" dos profetas ocasionais, cheia de cacoetes automáticos e imitativos em que parece que a língua, sozinha e descontrolada, assume o lugar da consciência no ser.
Querido, o Espírito Santo não é um bicho irracional que, incitado e acuado por uma sequência de glórias e aleluias, se esvai em vocábulos incompreensíveis para manifestação da glória de Deus. Na hora que for necessário interceder em oração, Deus quer a tua palavra sincera e o teu coração quebrantado, e tem toda a paciência do mundo para esperar até que venha a tua voz. O Espírito não falará por ti.
Se você aprendeu ou descobriu uma técnica pessoal para se fazer falar em "língua estranha", parabéns, bem-vindo ao mundo dos gentios, do paganismo e da feitiçaria.
Então, passar das crendices incubadas no catolicismo para uma ladainha evangélica repleta de palavras de guerra é um retrocesso?
De modo algum.
Não creio que o modo de passagem do catolicismo para a fé evangélica esteja nas minúcias doutrinárias que desenvolveram a Reforma protestante do século XVI (e que não fazem nenhum sentido hoje). É ridículo achar que católicos se preocupam com "fé e obras", enquanto que os evangélicos apenas com "fé", e mais ridículo ainda é que se dá ao trabalho de achar comprovações ocasionais da diferença de comportamente baseada nesse critério.
Não se deve desprezar a busca pela interação com a divindade que antes era inexistente, e é inevitável que boa parte da descatolicização tenha surgido da revolta genuína contra o obsoleto sistema de ritos encarnado no catolicismo tradicional - embora sempre existirá quem aprecie eles, na falta de coisa melhor. Claro que isso desemboca em uma onda de "conversões", mas esse não é o único caminho.
O perigo está em que, ao fazer tábula rasa de dois mil anos de cristianismo litúrgico e tentar construir uma fé exaustivamente alicerçada na Bíblia (como se fosse original), o evangelismo trilha as mesmas dúvidas de toda a longa trajetória da Igreja cristã - e, inevitavelmente, os mesmos erros. Por isso não é tão descabida assim a ideia de uma "reforma da Reforma" (embora seja inteiramente errada do ponto de vista histórico, pois não está se reformando a Reforma mas um reflexo distante desta para ser mais igual à própria Reforma).
Então vou terminar essa mensagem sem saudação alguma.
A todos somente a Paz, que é suficiente para expressar algo que está acima das diferenças culturais dentro da sociedade e que pensamos serem de fé.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Eu penso que posso
“Não pense tal homem que receberá do Senhor coisa alguma; homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos”
Tiago 1.6-8
A frase constante de “The Little Engine That Could” (clássico infantil que valoriza o otimismo e a determinação) pode ser bem o lema de Hermas de Roma, um autor do século II, cujo texto, O Pastor, foi escrito durante o período formativo da história cristã, logo após a morte dos Apóstolos.
Na ausência de uma autoridade apostólica, Hermas e seus contemporâneos buscaram o melhor jeito de conciliar o ensino que tinham aprendido dos apóstolos com a sua própria realidade, obtendo maior ou menor sucesso. O Pastor de Hermas é uma narrativa intrigante que força o leitor a revisitar ideias que são geralmente vistas como surgidas apenas na atualidade. Em seu livro, Hermas relata a visão de um anjo que lhe entregou lhe ensinou parábolas vestido como pastor de ovelhas.
Cerca de ¼ do texto é composto dedicado a mandamentos para uma vida santa para que Hermas recuperasse o favor de Deus, perdido após uma vida de pecado. Um desses mandamentos é o que o Pastor dirige aqueles que têm “fraqueza de fé”:
Não esteja tíbio sobre pedir a Deus sobre algo, dizendo a si mesmo, por exemplo: ‘Como eu posso pedir algo de Deus e receber o que peço, se pequei tantas vezes contra Ele?’ Não argumente dessa forma para si mesmo, mas volte-se para Deus com todo o seu coração e pergunte a ele sem hesitação, e você saberá a compaixão extraordinária dEle, porque Ele nunca o abandonará, mas cumprirá seu pedido de coração.... Assim, limpe seu coração de todo duplo ânimo e vista-se de fé, porque Deus é forte, e confie que você receberá todos os pedidos que fizer.
A fraqueza de fé de Hermas se manifestara em uma falta de confiança em sua relação e postura com Deus. Em sua forma mais avançada, ele começara a duvidar do que Deus havia prometido que faria com ele. Essa tibieza atrofiara a sua relação com Deus porque destruíra a confiança, e nenhuma relação pode funcionar sem confiança.
Como remédio contra a fraqueza de fé, o Pastor prescreve a própria fé. Assim como a dúvida destrói uma relação, a fé a reconstrói. O Pastor vê a fé como uma ação que tem um objeto: um homem fiel à sua esposa, um homem de negócios fiel aos seus contratos. Para Hermas, ser fiel significa ser fiel para Deus, confiando no que Deus tinha revelado para ele ser, e agindo apropriadamente na luz dessa revelação. Isto tinha aplicações imediatas e práticas na vida de Hermas, porque ele já estava em dúvida se poderia cumprir os mandamentos que o Pastor estava lhe dando. Hermas soube então que Deus tinha prometido prover força para a sua vida santificada, porém, em sua tibieza, ele agia como se não soubesse nada sobre a ação de Deus.
A reprimenda do Pastor a Hermas é instrutiva ainda hoje. A fraqueza de fé é uma doença insidiosa que frequentemente passa despercebida, mas tem um potencial destrutivo. A ignorância de Hermas sobre sua condição deveria sinalizar aos cristãos modernos que desejam vencer o obstáculo da falta de fé. Um bom começo para isso está em nossas orações. Quando fazemos nossos pedidos a Deus, nós o fazemos com fé, com uma expectativa condizente com o poder e generosidade que Deus demonstra ter nas relações conosco, ou nós fazemos de forma tíbia, colocando em dúvida se Deus concederá? Se nos acharmos na situação de Hermas, então precisamos vitaminar nossa fé. Um bom começo seria refletindo em quem Deus mostrou-se a si mesmo, o que pode ser encontrado tanto na Bíblia como em nossas vidas. Deus demorou milhares de anos para formar o Seu povo. Nossa responsabilidade é lembrar quem Ele é, como se revelou a nós, e como age conforme aquelas promessas. Felizmente, muitos trilharam por esse caminho antes de nós, e Deus esteve com eles. Depois de 4 mil anos de interação, podemos estar seguros de que Deus “é o mesmo ontem, hoje e eternamente”.
Por Jonathan Nichols, em http://evangelicaloutpost.com/archives/2010/11/i-think-i-can.html
domingo, 4 de abril de 2010
Para salvar o que se havia perdido
Quando algumas pessoas reclamam que a pregação do Evangelho se preocupa muito com os bêbados, drogados ou presidiários, costumo responder que Cristo veio “salvar o que se havia perdido” (Mat 18.11).
Na realidade, é uma resposta-padrão.
Como cidadãos imersos em uma sociedade secular, ainda não compreendemos integralmente o que é “ir” em busca do perdido. Nosso foco ainda é a edificação da imagem de um grupo vistoso na sociedade para que esta, vendo o bom exemplo, venha a seguir nossos passos.
Ir em busca dos perdidos, descer aos presídios e becos, é algo que muitas lideranças da Igreja estão plenamente dispostas a ir, mas desde que sem sujar as mãos...
Em nosso mundo, o que (ou quem) é o perdido?
Buscando uma resposta para essa questão, me lembrei do testemunho de Luiz Carlos Clay, que esteve em minha cidade há uns 3 anos, e sabe muito bem o que estar perdido.
Para quem não conhece, Clay foi um dos grandes nomes da Jovem Guarda, que fez um grande sucesso no final dos anos 60 e início dos anos 70.
Porém, mais que o declínio da Jovem Guarda, o que afundou sua carreira foi o alcoolismo, que minou toda a sua vida social, retirou a família de seu contato e finalmente o colocou várias vezes no “fundo do poço”.
Sabem a música “Garçom” do Reginaldo Rossi? O bêbado era ele...
“Na verdade destruí tudo; joguei tudo fora; perdi o dinheiro; perdi o respeito de todo o mundo; perdi o rumo...”
Então, um dia, quando o vício do álcool lhe fazia tudo parecer sem esperança, Luiz Carlos Clay teve seu primeiro contato com o “ópio”.
O ópio que me refiro aqui é o “ópio do povo”.
Como filho de pai comunista – recebera seu nome como homenagem ao secretário-geral do PCB – Clay aprendeu em casa que Deus era uma ilusão e que TUDO é possível pela vontade do próprio homem. Quando quisesse, era só decidir largar a bebida e restaurar tudo novamente: família, carreira, dignidade...
O problema é que Clay nunca decidia parar de beber.
Que força é essa superior ao homem que o fazia rodopiar em torno de si mesmo?
Há uma força superior ao potencial humano, superior à bebida e superior até mesmo à nossa pretensão de elevar diante do mundo Igreja impoluta, moderada, bem sustentada doutrinariamente e moralmente estável.
Dentro de uma ordem brutalmente secularista, o mundo espera que a Igreja cumpra ainda mais a sua função de recolher os “restos” da sociedade a fim de torná-la mais homogênea e não que vá se intrometer chamando a torto e a direito as pessoas de perdidas ou que precisam de uma salvação que não está ao seu alcance.
É a tese de uma Igreja “terapêutica”, que é apenas tolerada enquanto cumpre essa função que o século lhe designa – mas que tem que ser afastada quando tenta interferir na vida de pessoas cujo potencial humano lhe pareça mais bem sucedido do que os bêbados das ruas ou os drogados e meliantes dos becos.
Diante de críticas cada vez mais exasperadas, a Igreja costuma se recolher na pequenez de teologias minimalistas, na certeza (que não deveríamos ter) de que a justiça ou a salvação são previamente espelhadas em ações de mérito, que são (sem qualquer coincidência) exatamente aquelas que o mundo espera que a Igreja cumpra. E nada além disso...
Corremos atrás dos Cornélios, enquanto fugimos das Madalenas.
E os perdidos?
Os perdidos estão aí, profundamente confiantes em seu potencial humano inesgotável.
Claro que não me refiro aos bêbados ou drogados – estes estão mais próximos de reconhecerem seus verdadeiros limites – mas aos perdidos que a sociedade toma por exemplares, confiantes na eternidade da sua beleza física, na segurança da sua fortuna, ou na sabedoria de sua formação intelectual.
Da mesma forma que encontrarmos os bêbados de manhã, dormindo na calçada (porque estão tranquilos – entendem perfeitamente que, quando e se quiserem, saem do vício que os derruba na rua e voltam à vida sadia), vemos os não-perdidos embriagados no saber e nas conquistas espetaculares da humanidade presente subindo nos púlpitos, escrevendo livros ou enviando mensagens edificantes em seus blogues “livres” da alienação religiosa.
Todos dormem indefinidamente.
Além do mais, se cutucarmos esses bêbados, soltam alguns palavrões (geralmente por e-mail) e reclamam de por quê um “alienado” qualquer vem interromper seu sono. Ou até (os mais enfiados no vício) pedem dinheiro para permanecerem bêbados.
Sim, quem coloca sua fé no potencial humano caminha irremediavelmente para um fim que não é nada agradável. Diante de Deus, o mais culto e bem sucedido dos homens é como um tolo, que não sabe para onde vai (Prov 10.21).
Mas, se não fosse por Cristo, todos seríamos os perdidos.
Na parábola do Filho Pródigo (Luc 15. 11-32), o pai festeja a volta do filho que se perdera e gastara toda a fortuna da família. Não importa o prejuízo que causou, a vergonha na família ou mesmo a sensação de injustiça com outros irmãos. Há muita alegria quando aquele que se havia perdido reencontra o caminho com Deus.
Há parábolas de Jesus que estão se repetindo hoje em dia, e isso vem fortalecer a nossa certeza de que Deus está oferecendo uma nova chance a todos aqueles que, achando-se capazes de tudo, caíram em vícios mais fortes do que eles – bem como aos outros, que acham que não tem vício nenhum.
A propósito, o que aconteceu com Clay?
Quando Clay perguntou a si mesmo que força é essa que era maior que ele, foi buscar amparo na presença do pai que, apesar de filosoficamente materialista, sempre foi um homem íntegro e dedicado à família. Trazia as marcas físicas da tortura política e seus filhos jamais o tinham visto bêbado. Só que agora, “curado” do ateísmo, o estava esperando com a uma Bíblia na mão.

Luiz Carlos Clay ainda brigou com Deus mais algum tempo. Mas quando Deus tem um propósito na vida de alguém, os anos se passam até que o chamado vem quando a resposta está pronta para ser “sim”.
“Deus restaurou a minha vida. Quer saber o que aconteceu comigo? Eu nunca mais bebi!”
Se a fé é um vício, como pode vencer outro vício?
Vence, porque dos becos da cidade ou dos presídios, as mãos podem voltar sujas, mas as almas voltam limpas. Os perdidos que resgatamos são apenas pessoas que acabarem de experimentar o amargo da existência e por isso já conhecem o que teremos ainda duras provas para poder conhecer, que é o ponto em que nossa força de vontade individual bate em um absurdo incontrolável e nos afunda em contradições.
Para todos, é apenas uma questão de tempo.
Mas algo muito mais forte nos espera, quando nós mesmos nos reconhecermos como perdidos e sentirmos o peso da humilhação de nossos próprios fracassos e falta de sabedoria. Para sermos despertados desse sono, basta que alguém nos bata à porta.
“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrarei; batei, e abrir-se-vos-á” (Mat 7.7)