No
último ano (2011), a “guerra do Natal” tomou alguns aspectos irônicos e em outras
situações beirou o ridículo.segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
2011: um balanço da Guerra do Natal
No
último ano (2011), a “guerra do Natal” tomou alguns aspectos irônicos e em outras
situações beirou o ridículo.terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Tolerância, cinismo e a vida dura dos ateus (segundo Eliane Brum)
Pois
na mesma data em que era publicado o artigo, conversei com um cidadão que não gostou
que se falasse em igreja, gritou dizendo que odiava Deus, e que Jesus era ainda
pior. Esse, porém, não quis mudar de assunto, começou a me ofender em via
pública, me chamando de 'fascista' e acabou por esmurrar a frente do meu carro.
A jornalista devia se sentir contente por apenas um sorriso nervoso.domingo, 31 de julho de 2011
‘Marco Zero’: pomo da discórdia
O local chamado ‘Marco Zero’ (Ground Zero), a área onde ocorreram os atentados contra o World Trade Center em 11 de setembro de 2001, caminha para tornar-se um dos grandes polos mundiais da discórdia religiosa, mais ou menos como o setor onde está a cúpula do Rochedo, em Jerusalém.O que precisamos entender sobre isso?
Para uma parcela da opinião pública, a construção de uma mesquita islâmica é bastante oportuna para mostrar que os Estados Unidos são uma nação multicultural, o que desencorajaria futuras ações terroristas de militantes radicais, dentro e fora do país, e que (por acaso) são de religião islâmica e sempre viram o WTC como um símbolo a ser destruído – até o dia em que conseguiram.
Contudo, para além de toda essa ingenuidade ‘politicamente correta’, há um duplo-padrão na atitude dessas autoridades quando ao uso do Marco Zero e suas imediações para construções com alto valor simbólico.
É preciso lembrar que Nova York é uma das cidades com metro quadrado mais valorizado no planeta e a construção de um prédio para finalidades religiosas é impossível sem o aval oficial, a eliminação de complexos entraves burocráticos, e um forte amparo financeiro, inclusive com recursos públicos – o que se choca com a Cláusula de Estabelecimento da Primeira Emenda, que há mais de 200 anos estabelece uma rigorosa separação entre o estado e a religião.
Essa situação contrasta com a situação de uma pequena igreja ortodoxa grega, situada dentro do Marco Zero (neste local desde 1916 e totalmente destruída pelo atentado de 2001). Sua reconstrução vem sendo sistematicamente bloqueada desde então pela Autoridade Portuária da cidade – que prefere usar o seu terreno como um estacionamento. O prefeito Bloomberg não tem dado nenhum apoio à reconstrução da igreja ortodoxa em seu próprio terreno original.
Na última semana, os ateus resolveram meter o bedelho no Marco Zero.
Sua intenção é remover uma cruz de 17 metros erguida recentemente no memorial do 11 de Setembro. Essa cruz, na verdade, é uma parte da estrutura original do WTC que foi encontrada por trabalhadores no meio dos escombros. Acabou se tornando um símbolo que homenageia os mortos naquele ataque. Para os ateus, porém, esse ícone representa apenas uma religião.
A cruz não é o único símbolo religioso presente no memorial. Há símbolos de religiões que representam os diferentes credos das milhares de vítimas dos atentados (que incluíam até mesmo muçulmanos). Mas os ateus, até o presente momento, só querem derrubar a cruz.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Maioria dos cristãos britânicos percebe marginalização
Pesquisa conduzida pela ComRes (para a Premier Christian Media) avalia que 81% dos que frequentam a igreja na Grã-Bretanha percebem que a marginalização dos cristãos é cada vez maior na mídia e na imprensa. A pesquisa também indicou que 77% percebem que essa marginalização ocorre na esfera pública, e 2/3 acham que existe também no mercado de trabalho. Essa percepção é maior em mulheres do que em homens.
A avaliação desse sentimento ocorre após incidentes que mostraram o aumento de ações anticristãs na Grã-Bretanha, ao mesmo tempo em que se desenvolve uma cara e pesada campanha difamatória movida por entidades como a British Humanist Association[i] e a National Secular Society.
Em janeiro de 2009, um conselho local cortou a verba de um asilo mantido por cristãos evangélicos porque sua direção recusou-se a responder sobre suas opiniões a respeito da homossexualidade.
Em fevereiro de 2009, foi divulgado publicamente que uma enfermeira cristã foi suspensa do hospital onde trabalha por ter se oferecido para rezar pela recuperação de um paciente.
Também em fevereiro de 2009, uma recepcionista escolar foi punida pela escola por ter enviado um e-mail aos amigos de sua igreja, pedindo orações por sua filha.
Em maio de 2009, o ministério da Igualdade anunciou que determinaria que as igrejas cristãs vão ser obrigadas a contratar homossexuais como instrutores para a juventude.
Em junho de 2009, uma cristã de 67 anos que reclamou contra a realização do evento ‘Gay Pride Parade’ em sua cidade, foi acusada pelo conselho de de ‘crime de ódio’ e interrogada pela polícia.[ii]
Em julho de 2009, um pregador que recitava a Bíblia em público foi impedido pela polícia local sob a acusação de ‘comentários homofóbicos e racistas’.
Na British Airways, uma comissária teve que acionar a Justiça porque seus empregadores exigem que ela esconda uma cruz que usa no pescoço.
Em julho de 2010, uma tutora legal que cuidada de uma adolescente muçulmana ameaçada pela família foi afastada por ter permitido que a menina (de 16 anos) se convertesse ao cristianismo.[iii]
Em novembro de 2010, uma enfermeira foi suspensa de seu trabalho por ter presenteado um colega com um livreto contrário ao aborto.
Em janeiro de 2011, os donos de uma hospedagem em Cornwall foram multados em 3.600 euros por restringirem os quartos apenas a casais heterossexuais.
Esse dado revela um aumento dessa preocupação, em relação a uma pesquisa similar feita no ano anterior pela mesma ComRes, que indicou que 2/3 dos cristãos percebem uma discriminação negativa maior do que qualquer outro grupo religioso no país – na ocasião, 44% dos entrevistados afirmou já terem sido ridicularizados por vizinhos, amigos ou colegas pelo fato de serem cristãos.
[i] a BHA recebeu 35 mil euros do governo trabalhista para fornecer ‘orientações’ para o ministério da Igualdade.
[ii] a acusação, nesse caso, foi julgada ‘desproporcional’ até pelo mesmo pelo líder ativista homossexual Ben Summerskill, e condenada também por comentaristas da mídia e por políticos.
[iii] sistematicamente, os conselhos locais tem excluído casais cristãos da fila de possíveis pais adotivos por causa da oposição por motivo de crença a uma escolha homossexual das crianças adotadas.
domingo, 25 de abril de 2010
O dia em que Deus brincou com Dawkins
Repare nas duas crianças sorridentes na imagem ao lado. São filhos de cristãos evangélicos, educados sob princípios bíblicos e possivelmente até frequentam a escola bíblica dominical.
No entanto, não podem ser chamadas de “crianças cristãs”. É porque seus rostos acabaram sendo utilizados como parte de uma intensa campanha publicitária dirigida pela Associação Humanista Britânica (BHA), aquela dos "ônibus ateus", com apoio do militante Richard Dawkins.
O objetivo da campanha, que tem como título “Por favor, não me rotule. Deixe-me crescer e escolher por mim mesmo”, é não apenas inibir o ensino da religião no ambiente familiar, mas considerar que cada criança tenha autonomia, a seu tempo, para escolher suas crenças, o que começaria por não “encaixá-las” (seja pelas escolas ou em estatísticas) na mesma crença de seus respectivos pais. Segundo Dawkins
Nenhuma pessoa descreveria honestamente uma criança pequena como ‘criança marxista’, ‘criança anarquista’ ou ‘criança pós-modernista’. Contudo, as crianças são comumente rotuladas com a religião de seus pais. Nós precisamos encorajar as pessoas a pensarem cuidadosamente antes de rotularem uma criança muito jovem para saber quais suas opiniões próprias e quais ensinos dos adultos as levaram a isso”
É muito justa a preocupação de Dawkins. A rotulação (labelling, que ele comparou à “lavagem cerebral”) não faz o menor sentido em crianças muito pequenas que ainda não chegaram ao estágio de fazer suas próprias escolhas. Nós não devemos rotular as pessoas – apenas Dawkins é que pode.
O esforço da BHA insere-se no que eles mesmos chamam de “desdoutrinação” da sociedade, que é uma tentativa de eliminar do sistema educacional público e da mídia os últimos resquícios de ensinamentos teístas, ou, ao menos, equipará-los aos contos de fadas. Pelo menos essa tem sido a preocupação dos seus “acampamentos de verão” para crianças... ateístas (!), o que revela que a preocupação de Dawkins com a rotulação religiosa comporta uma honorável exceção ao que ele ensina e a quem ele ensina.
Para ser menos hipócrita, talvez seja melhor para Dawkins utilizar com cuidado o termo “lavagem cerebral” e a BHA se preocupar mais com os efeitos de sua campanha sobre a educação familiar. Uso de drogas: deixar que escolham por si mesmas? Podem os pais, em nome da autonomia dos filhos, deixar que se comportem na mesa como quiserem, escolham (se quiserem) o horário de estudo, e aprendam sozinhos a noção do que é certo e o que é errado?
Obviamente, responderão que não, e que é apenas a escolha ou não-escolha da religião é que deve ser postergada para a idade adulta. Acontece, porém, que as crianças (assim como todas as pessoas) estão expostas permanentemente a ensinos e opiniões que procedem ou induzem a crenças relacionadas à religião – ou à sua contrapartida humanista. Assim, por exemplo, uma história real ou fictícia apresentada pela mídia incentivando a sexualidade precoce, a curiosidade por extraterrestres ou o consumo sem limites acaba influenciando as pessoas de qualquer idade em temas que tem ligação com a religião. No entanto, a campanha do BHA não pensa em coibir essa interferência, e sim apenas em que retirar os pais desses temas aos quais estão expostos diariamente.
Por isso, é insensato admitir que a mídia, a escola ou os acampamentos de Dawkins tenham o direito de influenciar, enquanto as famílias não. Desse jeito, terão que proibir que músicas religiosas sejam tocadas dentro das casas, que crianças sejam levadas à escola dominical, ou que os pais façam oração na frente dos filhos? São implicações básicas e inevitáveis que a campanha da BHA parece não ter sequer se preocupado.
Além do mais, quando um pai simplesmente menciona que acredita em Deus (ou que não é acredita), sem qualquer imposição ou doutrinação, já é uma forma de transferir essa convicção ao filho, até mesmo inconscientemente.
Em termos práticos, a campanha do BHA é absolutamente irreal.
“Educa a criança no caminho em que deve andar”
Muitos ateístas afirmam que a maioria dos que são religiosos se tornaram assim porque tiveram uma educação religiosa na infância e que, sem essa, muito mais pessoas teriam se tornado ateístas.
Essa afirmação pode ser verdade, mas não é atual. Há já um bom tempo a sociedade é (ao menos nos grandes centros) permissiva quanto à liberdade de escolha das pessoas, mesmo contrariando as tradições familiares. É muito comum que adolescentes formem suas opiniões ateístas por volta dos 13-14 anos e anos depois retornem à crença de seus pais, porém com mais convicção.
O testemunho vale mais do que muitas pregações. De nada adianta um pai intitular-se cristão e querer que o filho também seja cristão se ter uma vida pessoal diferente da que um cristão deve demonstrar. Nesse caso, todo o ensinamento pode ter justamente o efeito contrário. Ninguém conhece melhor uma pessoa do que os membros da sua própria família, e essa sim que deve ser a preocupação de todo o pai ou mãe, antes ainda de ensinar os primeiros conceitos sobre a existência de Deus e da salvação em Cristo.
Uma das passagens mais bonitas do Novo Testamento é aquela em que Paulo e Silas estavam presos em Filipos e, na mesma noite (enquanto cantavam hinos), ocorreu um terremoto que destruiu as trancas da prisão e todos os presos acabaram fugindo. No entanto, o carcereiro tinha recebido ordens para que cuidasse dos dois e pretendeu se matar por temer a punição certa de seus superiores. Então Paulo e Silas apareceram para mostrar que não fugiram, porque isso iria levar à sua punição pelos magistrados. Naquele momento, o carcereiro pediu o que seria necessário para se salvar.
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31). Então ele os levou para sua mesa, e “na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa” (At 16.34). Com alegria, ele e todos os seus filhos foram batizados.
Na campanha da BHA, as fotos das crianças foram selecionadas em um banco de imagens mantido por uma agência. E a escolha recaiu sobre Charlotte (8 anos) e Ollie (7 anos), filhos de Brad Mason, componente de um dos mais populares conjuntos musicais evangélicos da Grã-Bretanha, que até ficou bastante envaidecido com a campanha: “É engraçado, porque obviamente eles estavam procurando imagens de crianças que pareciam felizes e livres. E aconteceu de escolherem crianças que são cristãs. É irônico.”
Leia a notícia
“Crianças utilizadas no anúncio ateísta de Richard Dawkins são evangélicas” em http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/faith/article6925781.ece